Quando estamos preparados para compreender a busca por moksha?

Acho este tema relativamente complexo, principalmente por perceber que é um dos meus pontos escuros, afinal, sei de toda a caminhada que passei até chegar em Yoga/Vedanta, e me deparar com o tema dos Purushartas, porém e uma pessoa que ainda está totalmente focada em kama  (prazeres) por exemplo?  Será que já é a hora de entrar em contato com este conhecimento?

Vejo isto muito em meus alunos mais novos, ou até em alguns mais velhos que estão no focados no processo Artha, Kama e nem com Dharma se preocupam, eu fico me questionando se apresentar alguns conhecimentos para eles, como exemplo Moksha, não seja como tirar a borboleta do casulo, e na tentativa de ajudar, acabar não deixando ela crescer.

Até eu chegar no yoga de verdade (com o Pedro Kupfer e depois no Vedanta com a Glória e com o Jonas), eu tive que cansar de Kama, ver o quanto não me preenchia, comecei a agir de forma dhármica, devido a conceitos do espiritismo, budismo, yoga com alguns “mestres iluminados” e vários outros grupos espirituais que fui escutar e tirar minhas conclusões, buscando a tal da iluminação.  Então quando o conceito de moksha chegou para mim, foi um click, quando encontrei professores sérios que não se colocavam num pedestal, no papel de Santos Iluminados, foi como encontrar uma coisa muuuuito sagrada.

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Como funciona, para uma pessoa que não saiu verdadeiramente para a busca espiritual dela, entrar em contato com esse conhecimento?  Será que ela aproveita ou nem dá atenção? Afinal, a mente precisa ir se preparando para entender a resposta final e inicial que o vedanta propõe.

Então com meus alunos, eu sempre fico com este questionamento, bom karma deles, já chegarem neste conhecimento, antes mesmo de se preocupar com Dharma ou com outras buscas?  Ou eu não deveria entrar nessas questões iniciais (dentro de todo o corpo de conhecimento de Vedanta), e ir ensinando apenas ásanas e pranayamas?

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Qual o limiar saudável na relação entre dinheiro e espiritualidade?

O dinheiro é uma tecnologia criada pelo homem, para facilitar a troca de energia (trabalho) entre os seres humanos e como toda tecnologia, tem uma natureza neutra, o que determina se é algo bom ou ruim é a maneira como será utilizado.

Quando misturamos dinheiro com espiritualidade, entramos em contato com alguns mitos, como por exemplo, a de que um líder espiritual não pode ter bens, dinheiro, que ele deveria viver de maneira ascética e que o conhecimento espiritual não deveria ser cobrado; também entramos em contato com situações de “abuso” por parte dos dirigentes das religiões, e neste nível, já encontramos o primeiro grau de julgamento, o que seria abuso?

Observando a venda de ilusões que existe em algumas religiões, como a pechincha de um pedacinho no céu por R$ 10.000, ou o mantra sagrado da iluminação instantânea num curso de fim de semana por R$ 5.000, visivelmente algo dentro de mim sinaliza como embuste ou enganação, a religião/espiritualidade transformada em negócio, essas situações sempre me lembram da música do Raul Seixas e Marcelo Nova, Pastor João e a Igreja Invisível.

Excesso de ostentação também é algo que me deixa ressabiado, quando vejo líderes com dezenas ou centenas de Rolls Royce, mansões, entre outras coisas, internamente penso que esse dinheiro poderia ser mais bem empregado em atividades sociais, afinal, existe tanta carência em nosso mundo, que apesar de podermos utilizar o dinheiro da maneira que bem entendemos, não sinto termos o direito social de fazer isso.

osho-roll-royceAo mesmo tempo, é claro que os orientadores espirituais precisam de dinheiro para viver no mundo material, não podem comer, morar, aprimorar, dedicar sua vida exclusivamente ao conhecimento e aos empreendimentos humanitários do grupo espiritual, se não estiverem amparados financeiramente.

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Neste ponto que entra a questão do limiar, quanto cobrar, quanto vale realmente uma aula de yoga, por exemplo?

Desconsiderando todo o esforço, tempo e gastos no investimento de um professor, que acho não existir um preço ou valor que possa pagar; uma mensalidade de 200 reais, pode ser indiferente para uma pessoa que ganhe muito mais do que isso, porém já fica proibitiva para uma pessoa que ganha um salário mínimo no nosso país; acredito que dessa situação, deva ter surgido essa ideia de dízimo de algumas religiões, 10% é 10%, se você ganha muito, parabéns! Ajude muito. Se você ganha pouco, parabéns! Ajude com o pouco que pode, mas ajude.

Já escutei por aí, que o preço é X pelo ensinamento, e se a pessoa não pode pagar, é por que ela não tem que se preocupar com a espiritualidade ainda, devendo ir “curar” o seu mundo material primeiro, antes de querer praticar yoga ou algo parecido; eu já sou contra essa proposta, pois sinto não existir tanta separação entre os mundos, e uma pessoa que esteja mais equilibrada espiritualmente, tenderá a querer se equilibrar no mundo material, podendo assim pagar o valor X pelas aulas.

Outro ponto no nosso mundo capitalista, é que temos uma tendência de valorizar as coisas que tem um preço maior, em detrimento de coisas com menor preço, e colocamos muito do nosso foco no que é mais caro, sem sabermos o valor real daquilo.  Achamos que coisas que são de graça, não são valorizáveis e isso se propaga para escolas, igrejas, e também para as salas de yoga; então encontramos ótimos professores que cobram “barato” com poucos alunos e escolas “caras” cheias de alunos, um pouco devido a este fator, pois aliamos o símbolo barato com serviço ruim, pouca dedicação.

Quer um exemplo?  Quando você vai ao médico, qual você escolhe? Qual você confia mais?  O do SUS, um que custe R$ 25,00 a consulta ou um de R$ 500,00?

Dentro de uma sala de yoga, também é importante analisar o que é mais interessante para o professor e para o aluno?  Muitos alunos pagando um preço menor e o professor tendo pouco tempo para se dedicar a todos eles, ou poucos alunos pagando um preço maior e o professor se dedicando com maior exclusividade para eles?

São diversos fatores a serem analisados, deixando essa questão relativamente complexa e interessante, possibilitando diferentes abordagens por parte dos instrutores e independente da escolha, acredito que o dinheiro não deve ser o foco principal de nenhum instrutor de yoga ou dirigente espiritual de qualquer religião, devendo ser visto com relativo desapego e sobriedade.

E assumo que tenho um pouco de dificuldade de lidar com essa complexidade, trabalhando para encontrar um preço que na minha região não seja proibitivo, estimule o aluno a se dedicar, faça com que ele sinta que está investindo um valor adequado, que possa suprir minhas necessidades materiais e que daqui um tempo eu possa começar a ter empreendimentos sociais.  Como o professor americano disse, quanto mais eu ganhar, mais eu vou poder ajudar, pois com um foco dhármico, o dinheiro é uma excelente tecnologia.

Om!

Desconstrução

Durante a época do cursinho, fiquei bem indeciso com relação ao caminho que deveria tomar durante a graduação, e após reflexões, análises das minhas capacidades, histórico familiar, resolvi escolher o curso de Física Médica, com a proposta de encontrar a cura do câncer (ou pelo menos ajudar a criar novos meios, técnicas para combater), também é claro que existia a intenção de trabalhar em um hospital particular de ponta, para ganhar bastante dinheiro…rs….

Conforme fui caminhando dentro do curso, meu conhecimento acadêmico foi crescendo, e também meu conhecimento dos problemas reais do Brasil, onde um dos maiores problemas está na prevenção devido à falta de equipamentos básicos, como o de mamografia e também na falta de conhecimento da população da necessidade desses exames preventivos.

Junto com tudo isso, perceber que os maiores causadores da doença (aliás, da grande maioria das doenças), está na falta de uma vida saudável, ou seja, alimentação inadequada, utilização de agentes autodestrutivos, sedentarismo e essa corrida maluca que é o “mundo”, levando a um excesso de estresse, fez com que  eu começasse a questionar o que tinha escolhido como caminho.

Na minha ignorância inicial, eu achava que o maior problema estava na incapacidade de lidar com o câncer já evoluído, não enxergar a complexidade dessa doença, me fazia querer trabalhar no final do processo, nesse momento, comecei a pensar numa possibilidade de colaborar nas causas e não no resultado da doença.

Mais ou menos no mesmo período comecei a caminhar dentro do conhecimento do yoga, que olhando de fora, parecia uma resposta do universo aos meus anseios com relação a uma vida mais saudável, porém tudo começou a perder o sentido, os estudos, as festas, as amizades…

O processo de reconhecer e aprender a lidar com as ações autodestrutivas, aprender a não esperar reconhecimento dos outros, aprender que sou a fonte da minha felicidade, fazer a minha parte entregando para o universo os resultados ia tão contra o que o mundo colocava como busca que dava medo.

Com esse conhecimento, comecei a perceber que muitos dos meus sonhos, desejos, vontades não tinham um fundamento saudável para o mundo, foi um processo aterrorizante e ao mesmo tempo libertador, muito parecido com uma morte em vida, afinal “o apego aos padrões era grande”.

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Encontrar com alguns professores espirituais, ler textos falando desse momento da vida, e conhecer alguns amigos com a mesma percepção pelo caminho, fez com que eu continuasse o que parecia ir contra o fluxo do “mundo”, e aos poucos fui conseguindo mudar padrões de comportamento, ter uma vida mais saudável e menos autodestrutiva, o bem estar gerado, virou um guia e parecia mostrar que eu estava no caminho certo.

As transformações foram tantas, que decidi que propagar o conhecimento do yoga pelo mundo era a resposta para as minhas questões iniciais e está nos planos aliar com a graduação e a pós em Biopsicologia, pesquisas mostrando os resultados obtidos na prática de ásanas e meditação.

Esse processo de transformação continua nos dias de hoje, que apesar dos desafios da vida, está bem mais tranquilo, trazendo um sentimento de que o fluxo está do meu lado… 😀

Om

Rodolfo Rodrigues Lou

Esquizovida

O-Que-é-Esquizofrenia-1

Analisando todas as situações que já passei na vida, a mais complexa delas é o momento atual pelo qual minha família está passando. Tudo começou após o falecimento da minha tia em Janeiro de 2012, meu primo de 17 anos que morava com ela e os avós (também já falecidos), entrou em surto psicótico, sendo diagnosticado com esquizofrenia, doença até o momento sem cura.

Após os eventos iniciais, envolvendo fugas por cima de casas, atropelamento, explosões de raiva, internação obrigatória, ele saiu da clínica, nesse momento, devido as circunstâncias  eu e minha mãe preferimos que ele viesse morar em casa.

Desde então, toda a família entrou num processo muito difícil, tanto de aceitação da situação, como aprender formas de lidar com toda a complexidade da doença, que quase deixou todos meio loucos.

A impotência diante do diagnóstico, a tristeza da impossibilidade de reversão e conseguir ter paciência, amor, serenidade, principalmente nos eventos de surto, foi além dos limites da minha capacidade, com eventuais explosões da minha parte.

Perceber o medo (devido às situações que ocorriam nos surtos), a raiva e ódio brotando do meu ser, para com alguém que amo e que era meu amigo até o início da doença, foi uma das coisas mais terríveis que já senti na minha vida.

Questionamentos com relação à existência de uma ordem Divina, e até uma descrença de que essa ordem está trabalhando para uma harmonia do mundo, surgiam a todo instante devido a incapacidade de perceber todo o jogo cósmico.

Nessa situação limite, aprendendo a lidar com o caos gerado, tentando confortar mãe, irmã, irmão, tios, tias e demais familiares, sinto que pratiquei tudo o que aprendi do yoga, para conseguir manter um distanciamento e tranquilidade diante dos momentos de stress.

Perceber que não tenho nenhum controle sobre as coisas e que a entrega era o caminho foi o que aprendi nos últimos tempos, e a única coisa que realmente me trás algum conforto é confiar que tudo que vem para nossa vida, tem uma razão, mas não vou dizer que isso é algo que já está completamente compreendido, sinto que vai além da minha capacidade no momento.

Desde novembro do ano passado, ele está internado numa clínica, para tentar equilibrar com remédios e terapia; hoje dia 22 de maio, é aniversário dele, completou 21 anos na clínica, fizemos uma festinha com alguns familiares, equipe e demais internos….. Não consegui cantar parabéns sem que algumas lágrimas escorressem.

Om

Rodolfo Lou

O Encontro com o Yoga e o Vedanta

Meu interesse por yoga e meditação, aconteceu quando era criança por volta dos 6, 7 anos, um pouco por influência de uma tia que praticava meditação e um pouco devido ao mestre Splinter das Tartarugas Ninja e outros seriados de Ninjas e afins, porém na minha cidade não existia uma escola de yoga, então essa vontade ficou guardada no meu ser, talvez esperando o momento certo de ser ativada.

Os questionamentos filosóficos, querer entender o mundo, a vontade de curar o câncer e afins, me levaram a cursar Física Médica, e foi dentro desse curso que meus questionamentos tomaram uma maior dimensão, muito por influência de professores que transformaram muito a maneira como eu enxergava o funcionamento do Todo e nossa influência no mundo; dentre esses professores, cito um, o Dr. Ivan Guerrini, da matéria de Caos e Fractais, que sempre fez com que eu refletisse sobre as diversas situações do mundo que eu tinha como certas, na minha mente mecanicista, cheia de certezas.

Junto com esse momento na minha vida, veio uma consulta com um ortopedista, que pediu para que eu colocasse a mão no chão, risos, e eu mal cheguei no joelho, lembro direitinho das palavras dele: “- Você está  com o alongamento muito podre para alguém com 22 anos, vá praticar natação ou yoga!” e neste momento eu sinto que veio o clique que faltava.

Na cidade que eu estudava Física tinha yoga, que eu até já tinha sondado, mas não tomei a atitude de ir para as aulas, e foi somente após essa ordem médica que resolvi me aventurar neste mundo e começar minhas práticas.

As práticas foram interessantes, porém muito voltadas ao físico, sem a “parte filosófica”, que de certo modo eu já tinha começado a pesquisar na internet e através de livros emprestados de um primo, que explicavam com uma clareza interessante e até certa similaridade com as matérias mais estranhas da física, neste momento da vida, eu já tinha entrado em contato com algumas ideias de físicos como Amit Goswami, Fritjof Capra entre outros que falavam um pouco da filosofia oriental.

Sentindo as transformações que a prática do yoga estava fazendo na minha vida, diminuindo a ansiedade, diminuindo as necessidades de auto-destruição, maior discernimento com relação as situações da vida, comecei a pesquisar mais e mais sobre o tema, e nessas pesquisas na internet, comecei a encontrar os textos do professor Pedro Kupfer, que sempre me clareavam algum modo de pensar, e faziam muito sentido.  Procurando pelo nome dele, encontrei o site e o curso de formação de instrutores, que me deixou muito interessado, esse interesse aumentou tanto que um dia após a colação de grau, eu já estava embarcando para chegar meio atrasado no primeiro módulo do curso.

A partir daí a transformação foi radical, tive meu primeiro contato com o ensinamento do yoga e um contato inicial com Vedanta através de um excelente professor, fiquei sabendo da existência de professores como a Gloria Arieira e do Mestre Swami Dayananda, também fui estudar yoga com o professor Marcos Rojo e biopsicologia com a Dr. Susan Andrews, até que caminhando dentro desse processo cheguei no professor Jonas Masseti, que apresentou uma proposta interessante para o estudo de Vedanta.

Iniciei os estudos na turma Shiva em outubro de 2014 e nossa mãe, como tem clareado meus questionamentos, firmado pontos em que existia alguma dúvida e apresentado  maneiras de lidar com as diversas situações da existência.

Só tenho a agradecer.

Om!

Rodolfo Rodrigues Lou

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